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Morador registra BO contra a Prefeitura após perder prazo para transplante de rim

Atualizado: 2 de mar. de 2020


Antônio mostra exame que é realizado mensalmente para avaliar possibilidade de transplante

Quando o telefone tocou, perto das 2h da manhã de segunda (17), o vigilante Antônio Correa dos Santos, de 61 anos, acordou assustado com uma ligação. Era do Hospital do Rim (HRim), centro de excelência em transplante e tratamento de doenças renais. Do outro lado da linha, ouviu a notícia que esperava há um ano e oito meses, quando começou a fazer hemodiálise em razão da falência dos dois órgãos. Sua vez na fila de espera de transplante havia chegado, com a oferta de um rim cujo doador possuía o mesmo tipo sanguíneo que o seu, O negativo, considerado um dos mais raros.


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A viabilidade do transplante dependia da rapidez na locomoção à capital. Prontamente, ligou no Centro Médico para solicitar transporte com motorista com experiência no trajeto. “Já nesse momento começamos a encontrar dificuldade, pois a responsável pelo serviço de enfermagem estava em momento de descanso e a funcionária que nos atendeu demonstrou resistência em chamá-la, além de não informar o telefone do Secretário”, reclama Antônio.


O vigilante, então, procurou o responsável pelo setor de transporte da Prefeitura. “Ele informou que uma viagem para São Paulo com pacientes havia saído às 1h30 e que não tinha motorista à disposição naquele momento”, relata. Com a dificuldade em conseguir o transporte e o prazo transcorrendo, a filha Gracieli Oliveira decidiu ligar para o vereador e presidente da Câmara, Alison de Souza Mares Rodrigues, amigo da família, para que entrasse em contato com o prefeito João Ricardo Fascineli.


“Como não atendia, decidi ir pessoalmente à casa dele”, relata Gracieli, que demonstrou revolta com a atitude do prefeito . “Ele demorou a sair e, quando saiu, se comportou como se não estivesse preocupado em resolver a situação, informando simplesmente que não tinha motorista disponível e questionando se meu pai iria trabalhar se fosse chamado àquela hora”, relata.


Como não conseguiram o transporte público, o vereador e amigo da família Alison se dispôs a levá-lo à capital. Saíram com o carro de Antônio depois das quatro da manhã e chegaram perto das 11h após enfrentaram engarrafamento por causa de um acidente. O atraso acabou prejudicando a integridade do rim e a cirurgia teve que ser cancelada.


O insucesso no tão esperado transplante gerou revolta entre os familiares, que utilizaram as redes sociais para demonstrar a indignação. A filha Gisely Oliveira considerou que houve desrespeito à Constituição Federal quando o município não disponibilizou transporte em situação de urgência médica. ”A indignação é grande, pois por falta de humanização e descaso meu pai perdeu um rim”, indignou-se. “Será que vai ser preciso alguém morrer para ser garantido os nossos direitos”, questionou.


Omissão

Antônio não concordou com as justificativas da Prefeitura para a não disponibilização do transporte. Por isso, decidiu fazer Boletim de Ocorrência (BO). “Para mim houve omissão, mas quem decidirá será a justiça”, considera. Desta forma, espera que a situação não volte a acontecer com ele e nem com outro morador.


A reportagem buscou o posicionamento da Prefeitura e do prefeito João Ricardo Fascineli sobre o episódio, mas não recebeu o retorno até a publicação da matéria.


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