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Peça “A Escolha” leva mensagem de acolhimento e valorização da vida em Motuca

há 8 horas
3 min de leitura
“Falar é um ato de coragem. Você não está sozinho”

A importância de ouvir, acolher e reconhecer o sofrimento do outro foi a mensagem central da peça “A Escolha”, do grupo Pintando o Sete, apresentada em Motuca no contexto do Setembro Amarelo, campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio. Sob a direção de Paulo de Sá, professor da rede municipal de ensino, a encenação abordou conflitos emocionais e a presença de familiares, amigos e educadores como pessoas a quem recorrer em momentos difíceis.



A peça foi apresentada ontem (30),  no Centro Comunitário, aos alunos da rede municipal de ensino, com coordenação de Thais Capodeferro e apoio técnico de Silmara Bergamo.


Após a apresentação, Paulo de Sá explicou que o trabalho foi construído ao longo de aproximadamente um mês e meio, nos encontros de sexta-feira do projeto. Segundo ele, a intenção era oferecer uma reflexão e despertar a atenção do público para situações que atravessam o cotidiano.


Arte como espaço de diálogo

“A arte tem esse papel também, de falar, de denunciar, de tocar na ferida”, declarou Paulo, que relacionou a proposta à percepção de que as relações estão se tornando mais mecânicas, com menos espaço para conversar, cumprimentar ou oferecer um abraço. Para ele, gestos simples de aproximação têm encontrado cada vez menos lugar na rotina.


O professor também explicou que a preparação envolveu debates sobre perdas, mudanças e encerramentos de ciclos. A proposta da encenação foi mostrar que atravessar essas experiências não significa que a própria história precise acabar, mas que é possível buscar apoio para continuar.


O sofrimento por trás do “está tudo bem”

Na peça, a personagem Bia responde que está bem às perguntas de pessoas próximas, embora demonstre cansaço, afastamento e dificuldades na escola. O contraste entre suas respostas e o sofrimento que vive aparece quando ela finalmente admite: “Eu não estou bem”.


Ao longo da história, são destacadas falas de apoio. “Você não precisa carregar isso sozinha”, diz uma das personagens. Em outro momento, a necessidade de acolhimento é expressa de forma direta: “É por isso que ela precisa de ajuda, não de silêncio”.


A narrativa utiliza figuras simbólicas para tratar da vida, da morte e das transformações que acompanham o crescimento. Uma das mensagens centrais aparece na fala: “Você não precisa acabar com a sua história para que o capítulo termine”.


No desfecho, a aproximação de familiares e amigos acompanha uma mudança na postura de Bia, que deixa de esconder o que sente: “Eu achei que precisava esconder tudo isso, mas agora eu não preciso mais”.


Professores destacam escuta e responsabilidade com o outro

Na conversa após o espetáculo, a professora Vanessa Antunes defendeu a presença desse tipo de abordagem no ambiente escolar e elogiou o trabalho das participantes. “A molecada precisa ver esse tipo de conteúdo, esse tipo de obra na escola”, ressaltou.


O professor Paulo Tadeu destacou a dificuldade de trabalhar o tema e relatou que a apresentação lhe trouxe lembranças de experiências da infância. Em sua avaliação, a encenação conseguiu representar os sentimentos e conflitos de alguém que enfrenta sofrimento.


Ele chamou a atenção dos estudantes para a possibilidade de um colega estar passando por uma situação semelhante, mesmo que isso não seja evidente para os demais. Também ressaltou que atitudes de julgamento podem agravar esse sofrimento, enquanto a escuta e o acolhimento oferecem apoio.


A professora Juliana Legramandi reforçou a reflexão sobre a maneira como os colegas são tratados, relacionando comportamentos de julgamento às situações representadas no palco.


Uma mensagem para além de setembro

Ao encerrar a conversa, Paulo de Sá lembrou que professores também vivem conflitos e têm imperfeições. Sua fala buscou aproximar educadores e estudantes, reforçando que os jovens podem encontrar pessoas com quem contar na escola, entre amigos e em casa.


O diretor ressaltou ainda que a atenção ao tema deve permanecer durante todo o ano. Assim, a mensagem da apresentação se estendeu para além da campanha: criar espaço para falar sobre o sofrimento, ouvir sem julgar e reconhecer a necessidade de ajuda.

 
 
 

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