Sustentabilidade e literatura são destaques no "Família na Escola"
Exposições em duas escolas de Motuca abordaram sustentabilidade e transformaram textos de Irineu Ferreira em trabalhos sobre escrita, matemática, acessibilidade e memórias locais.

Consumo consciente, reaproveitamento de materiais e histórias de Motuca fizeram parte do “Família na Escola”, realizado em 19 de setembro na EMEIF Maria Luiza Malzoni Rocha Leite e na EMEF Adolpho Thomaz de Aquino. Os estudantes apresentaram trabalhos que relacionaram conteúdos estudados em sala de aula a questões ambientais, experiências do cotidiano e memórias do município.
Na Maria Luiza, a educação ambiental orientou a exposição de cartazes e objetos confeccionados com materiais reaproveitados. Na Adolpho, textos do livro “O livro que não escrevi”, de Irineu Ferreira, deram origem a maquetes, desenhos, cartas e atividades de diferentes disciplinas, com a presença do autor.
A programação ocorreu pela manhã na Maria Luiza e à tarde na Adolpho, conforme a divulgação do evento, cuja proposta era aproximar as famílias dos trabalhos desenvolvidos por alunos e professores.

Sustentabilidade no cotidiano
“Cuidando do planeta, fazemos a diferença” foi uma das mensagens apresentadas na Maria Luiza. Os estudantes relacionaram sustentabilidade ao uso consciente dos recursos naturais e ao cuidado com as próximas gerações. Os trabalhos destacram atitudes como reciclar, reutilizar, economizar água e energia e evitar desperdícios.
Outros painéis traduziram essas ideias em exemplos práticos. Sob o título “Reduzir”, os alunos recomendaram banhos mais curtos, impressão apenas do necessário e diminuição do desperdício de comida. Em “Repensar”, a orientação foi avaliar a necessidade de uma compra, com o exemplo de levar uma garrafinha de casa em vez de adquirir outra embalagem plástica.
A reutilização apareceu tanto nos textos quanto nos objetos expostos. Embalagens, garrafas e rolos de papel foram transformados em porta-lápis, brinquedos e peças decorativas. Um dos cartazes sugeriu novos usos para potes de vidro, para o verso das folhas e para roupas que poderiam virar retalhos.
Já o painel “Recuperar” apresentou ações como plantar árvores, limpar praças ou rios e cuidar de uma horta na escola. Ao lado dos textos, recipientes reaproveitados com plantas ajudaram a ilustrar a proposta. A exposição também trouxe desenhos de lixeiras para separação de resíduos e a mensagem “O planeta não é descartável”.
Além dos trabalhos expostos, também foi realizado um desfile de crianças dos alunos com fantasias confeccionadas com materiais reaproveitados.

Histórias que viraram trabalhos
Na Adolpho, a exposição apresentou diferentes leituras dos textos de Irineu Ferreira. Um painel com fotografias do escritor em fases distintas da vida introduziu a obra, enquanto outros espaços reuniram produções inspiradas em suas histórias.

O texto “Último trem” foi acompanhado por uma maquete com locomotiva, vagões, árvores, bancos e personagens, além de desenhos de trens. O trabalho com o sétimo ano permitiu explorar formas geométricas e envolveu os alunos na escolha dos materiais e nas soluções para a montagem.
A relação entre memória e matemática também apareceu nos painéis “Futebol e tiriricas”, que reuniram fotografias de jogadores e equipes. Ao lado, uma atividade sobre perímetro e área utilizou representações de espaços esportivos para desenvolver os cálculos.
Outro trabalho partiu de um texto sobre a padronização de calçadas para discutir acessibilidade. Conforme o relato apresentado durante o evento, os estudantes fotografaram trechos das ruas, pesquisaram medidas e compararam preços de pisos táteis e comuns. A atividade envolveu turmas de diferentes anos em etapas de pesquisa, desenho e pintura, com o objetivo de estimular a observação das condições de circulação dos pedestres.

Da narrativa aos quadrinhos
“O bote da jararaca”, baseado em uma experiência da infância de Irineu, foi trabalhado em histórias em quadrinhos. Os desenhos expostos representaram cenas em sala de aula, brincadeiras ao ar livre e uma passagem em ambiente hospitalar.
A escolha do texto considerou a possibilidade de relacionar a narrativa a diferentes disciplinas e de abordar brincadeiras de outras gerações. A proposta também aproximou os estudantes de uma história ambientada no município onde vivem.
O contato com o escritor integrou esse processo. Antes do evento, Irineu havia conversado com turmas sobre sua trajetória e suas motivações para escrever. Na exposição, acompanhou os trabalhos e conversou com os participantes.
Cartas e máquinas de escrever
A escrita de cartas a partir do texto "Cartas de Cecília" ocupou outro espaço da mostra. Um mural reuniu mensagens manuscritas, envelopes, corações e imagens de paisagens. O cartaz “Gênero textual: carta” apresentou o tema trabalhado com os estudantes.
Segundo as explicações registradas nas transcrições, textos do autor serviram de estímulo para que os alunos escrevessem a outras pessoas. A atividade abordou as características da carta e a troca de mensagens em um formato pouco utilizado por eles no cotidiano.
Duas máquinas de escrever antigas também fizeram parte da exposição. Conforme os relatos, os objetos despertaram a curiosidade dos estudantes e favoreceram conversas sobre hábitos de escrita e comunicação anteriores aos aplicativos.
Memórias compartilhadas
Apresentado em junho, “O livro que não escrevi” reúne crônicas e artigos sobre a trajetória de Irineu Ferreira e vivências principalmente em Motuca. A publicação nasceu da intenção de reunir textos produzidos ao longo dos anos e preservar histórias que estavam dispersas.
O autor disponibilizou a obra em PDF e colocou os textos à disposição para atividades pedagógicas. Como relatou na matéria sobre o lançamento do livro, entre seus objetivos estão contribuir para a formação de leitores e incentivar a escrita.





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