Prevenção do suicídio exige atenção ao sofrimento emocional, alerta psiquiatra
- Redação

- 1 de out. de 2025
- 3 min de leitura

A prevenção ao suicídio passa, antes de tudo, por reconhecer o sofrimento emocional e oferecer acolhimento a quem enfrenta momentos de crise. O alerta foi feito pelo psiquiatra Rafael Delfim, que encerrou a programação municipal da campanha "Setembro Amarelo" com palestra realizada ontem (30), na Câmara Municipal, organizada por equipe do Departamento de Saúde local, que atraiu um grande número de pessoas, entre estudantes e demais membros da sociedade, além de autoridades locais.
Assista a íntegra da palestra:
A necessidade de falar
Com o tema: “Escutar, Acolher e Agir: Juntos no Manejo de Crises e na Prevenção do Suicídio”, Delfim, que vem exercendo a função no município e em Matão, iniciou a sua fala destacando que a prevenção do suicídio é uma responsabilidade de todos e que "falar é a melhor solução".
Sofrimento
Ele explicou que o suicídio não deve ser entendido como uma escolha livre, mas como resultado de um sofrimento psíquico intenso. “A pessoa não quer acabar com a vida, ela quer acabar com a dor. O suicídio aparece como uma porta de saída quando a dor emocional se torna insuportável”.
Aumento de casos
O psiquiatra apresentou dados do Ministério da Saúde que revelam um aumento de 42% no número de vítimas por suicídio entre 2010 e 2021. Somente em 2021, a taxa registrada foi de 7,5 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens, o suicídio já figura entre as principais causas de morte, atrás apenas de acidentes e violência.
Impacto da pandemia
O psiquiatra destacou ainda o impacto da pandemia de Covid-19 sobre a saúde mental: “Entre 2020 e 2021, tivemos um aumento expressivo dos casos, especialmente entre crianças e adolescentes. Ansiedade, depressão e tentativas de suicídio cresceram muito nesse período”, disse.
Identificação de sinais
Delfim explicou que a maior parte dos casos está relacionada a transtornos de humor, como depressão e transtorno bipolar. Ele detalhou sintomas que devem servir de alerta: humor persistentemente deprimido, perda de energia, dificuldade de concentração, perda de prazer nas atividades cotidianas e pensamentos recorrentes de morte.
“O processo não acontece de repente. Começa com pensamentos difusos sobre a morte, vai se tornando mais concreto, até que a pessoa chega ao risco real de tentativa. Entender esse percurso é fundamental para oferecer ajuda no momento certo”, apontou.
O papel da família e da comunidade
Questionado por um dos participantes sobre como familiares podem ajudar, o psiquiatra ressaltou a importância do acolhimento. “Quando os pais ou pessoas próximas reconhecem o sofrimento, viram aliados. Negar o problema só agrava a situação. A depressão não é fraqueza, é uma doença que precisa de tratamento”. Além do suporte familiar, a construção de redes de cuidado foi apontada como essencial.
Tratamento e esperança
O tratamento da depressão e de outros transtornos associados envolve a combinação de medicação e psicoterapia. Nos casos mais graves, explicou Delfim, pode ser necessária a internação hospitalar. O psiquiatra reforçou, porém, que a recuperação é possível: “Sempre há alternativa. A depressão faz a pessoa acreditar que não existe saída, mas o tratamento devolve qualidade de vida e esperança”.
Quebrar o silêncio
Para os organizadores, o encontro cumpriu seu papel ao abrir espaço de diálogo sobre um tema ainda cercado de tabus. Ao final, a enfermeira Cláudia Régis e a psicóloga Letícia Madeira anunciaram a criação de grupos de saúde mental no município. "Precisamos cada vez mais criar espaços de escuta, acolhimento e informação, como este momento que estamos construindo agora, para que ninguém precise sofrer em silêncio", justificou a enfermeira Cláudia. A psicóloga Letíca completou: "A saúde mental é cuidada com o acolhimento, rede de apoio, medicação e com a fala. Também reconhecendo a nossa dor e fazendo algo com ela", pontuou.




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