Denúncias envolvendo empresas pautam atuação dos vereadores no retorno do recesso
- Redação

- há 4 dias
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Atualizado: há 3 dias
As denúncias envolvendo empresas contratadas pela Prefeitura de Motuca marcam o retorno das atividades legislativas da Câmara Municipal, que realiza nesta segunda-feira (3), às 20h, a 11ª Sessão Ordinária do ano. Embora a Ordem do Dia não traga matérias previamente pautadas, o presidente da Casa informou que uma denúncia protocolada pelo ex-servidor Francis Júnior Casimiro da Silva (leia a matéria anterior). será apreciada. Além disso, dois projetos encaminhados pelo Executivo poderão ser incluídos em regime de urgência especial, caso haja aprovação dos vereadores.
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Denúncias repercutidas em rádio
Outro assunto que será destacada é a série de denúncias repercutidas pelo Jornal da Morada sobre um suposto esquema de uso de "laranja", sedes físicas inexistentes e possíveis conflitos de interesse envolvendo a empresa Alphamoor Gestão e Serviços Ltda. Ao longo das edições, o programa apresentou documentos, entrevistas e diligências realizadas em Motuca, Rincão e Campinas, divulgando desdobramentos da apuração.
Serviços prestados e valores
A empresa firmou dois contratos por Dispensa de Licitação para prestação de serviços terceirizados ao município. O primeiro, em 18 de março, com vigência até 17 de maio, pelo valor global de R$ 64.275,06, com aditamento de R$ 32.137,53 para correção de valor, voltado ao fornecimento de mão de obra para limpeza e conservação dos prédios das Diretorias de Educação, Cultura, Esporte e Lazer e, Saúde, Assistência e Promoção Social, a serem executados com regime de dedicação exclusiva. O segundo, iniciado em 17/04/2026 e concluído em 16/07/2026, pelo valor total de R$ 51.107,76, para o fornecimento de mão de obra visando a prestação de serviços de controle de acesso.
Proprietário legal
Um dos principais pontos das reportagens é a situação do proprietário registrado da empresa, Gilberto dos Santos, de 84 anos, apresentado como "laranja". Embora viva em condições de vulnerabilidade social, o contrato social da empresa registra um patrimônio de R$ 200.000. Nas primeiras entrevistas exibidas pelo Programa, Gilberto afirmou que acreditava ter assinado documentos apenas para servir de testemunha ou tratar de assuntos relacionados à aposentadoria, dizendo inicialmente desconhecer ser o proprietário legal. Posteriormente, em novas entrevistas, apresentou versão diferente, passando a afirmar que era o dono e que teria valores a receber da Prefeitura. O Programa também mostrou que Gilberto mora em Rincão, em um imóvel localizado junto ao campo do Paulista Futebol Clube, onde realiza serviços de manutenção em troca da moradia. O presidente da entidade esportiva confirmou as condições de vida do idoso e afirmou que ele possui baixa escolaridade e problemas de saúde.
Endereços e estrutura da empresa
Outro eixo da denúncia envolveu os endereços informados pela empresa nos documentos de sua constiuição. Em Motuca, a reportagem mostrou que a residência de Gilberto corresponde ao imóvel de um Sindicato Rural que estaria desocupado há anos. Já em Campinas, a equipe visitou a residência indicada como matriz da empresa, onde a proprietária declarou que nunca funcionou qualquer atividade empresarial naquele local.
Segundo a Rádio, a residência pertence à ex-esposa de um militar reformado que mora em Motuca.
Menções ao contador Roberto Franco da Silva
Nas edições posteriores, o Programa passou a identificar o contador Roberto Franco da Silva, conhecido pelo apelido de "Três Argolas", ex-presidente da Câmara de Motuca ( biênio de 2003 a 2004) e pai do vereador Gabriel Muniz da Silva, como uma das pessoas citadas por Gilberto durante as entrevistas, afirmando que "quem toma conta de tudo" na empresa seria o contador. Também foi divulgado que Gilberto afirmou ter sido levado por ele a uma agência bancária para tentar contratar um empréstimo de R$ 40 mil em nome da empresa, operação que, segundo a reportagem, não teria sido concluída em razão da idade avançada. Em outra etapa da investigação, o programa exibiu novo depoimento de Gilberto, no qual ele declarou ter sido coagido e orientado sobre o que deveria dizer em entrevistas concedidas.
Endereço em Campinas
As reportagens também passaram a mencionar a empresa local Raoni Thomaz de Aquino Pereira – ME, que também presta serviços à Prefeitura de Motuca. A apuração destacou que o proprietário seria enteado do militar reformado, ex-marido da mulher cuja residência em Campinas foi indicada como matriz da empresa. Também foi mencionado que Roberto presta serviços como contador à empresa.
Empresário nega participação na Alphamoor
Raoni Thomaz de Aquino Pereira afirmou, em nota (leia no final da matéria), que não possui participação societária, administrativa ou de gestão na Alphamoor Gestão e Serviços Ltda. Segundo ele, mantém relação exclusivamente profissional com o contador Roberto Franco da Silva, que presta serviços à sua empresa há mais de 18 anos. O empresário também declarou que não participou da locação do imóvel em Campinas citado nas reportagens, confirmou ter realizado empréstimos financeiros à Alphamoor, afirmando que os valores posteriormente recebidos correspondiam à devolução parcial desses empréstimos, e negou ter atuado como sócio, administrador ou procurador da empresa. Ao final, lamentou que seu nome tenha sido citado antes de ser procurado para prestar esclarecimentos e afirmou estar à disposição para colaborar com a elucidação dos fatos.
Desdobramentos
Nos programas exibidos entre os dias 29 e 31 de julho, o Programa passou a abordar novas informações relacionadas ao caso. Entre elas, foram apresentadas declarações de Gilberto afirmando ter assinado documentos referentes a outras empresas, informações sobre movimentações bancárias vinculadas à empresa e possíveis conexões entre pessoas físicas, empresas e contratos públicos.
Projetos em urgência especial
Caso o plenário aprove a inclusão em regime de urgência especial, os vereadores também poderão analisar dois projetos encaminhados pela Prefeitura (acesse):
Projeto de Lei Complementar nº 16/2026, que altera a destinação de uma área originalmente destinada ao Segundo Distrito Industrial para permitir a implantação do loteamento Residencial e Comercial João Batista Zílio Fascineli, com uso residencial e comercial e previsão de 341 lotes. Segundo a justificativa do Executivo, a medida busca atender exigências do Cartório de Registro de Imóveis para viabilizar o registro do empreendimento.
Projeto de Lei nº 22/2026, que autoriza a abertura de crédito adicional de R$ 986.500,00 para adequação do orçamento municipal, destinado à aplicação de recursos provenientes de emendas parlamentares voltadas às áreas de educação, saúde e planejamento, obras, saneamento e serviços públicos.
Nota do empresário Raoni
Em relação aos questionamentos, esclareço que o Sr. Roberto é contador da minha empresa há mais de 18 anos, mantendo com ele uma relação profissional, de confiança e amizade construída ao longo desse período.
Quanto ao imóvel localizado na região de Campinas, trata-se de um imóvel pertencente ao meu padrasto. Pelo que tenho conhecimento, ele foi procurado por um representante da empresa interessado na locação do imóvel, tendo as partes tratado diretamente dessa negociação. Não participei das tratativas, não intermediei a locação e não possuo qualquer vínculo com esse contrato.
Também é verdade que, em determinado momento, realizei empréstimos de valores para a empresa, a pedido do Sr. Roberto. Fiz isso em razão da relação de confiança e consideração que tenho por ele, especialmente pelo apoio profissional que prestou à minha empresa em um período difícil. Parte desses valores, inclusive, foi posteriormente devolvida à minha empresa. Os valores que vêm sendo mencionados como supostas retiradas correspondem, na realidade, à devolução parcial desses empréstimos, realizada para que a empresa pudesse honrar seus compromissos financeiros.
Esses empréstimos constituíram apenas um auxílio financeiro e não representam participação societária, administração, gestão ou qualquer ingerência minha na empresa. Nunca fui sócio, administrador, procurador ou responsável por decisões da empresa, tampouco participei de sua constituição ou de sua gestão.
Tenho minha empresa desde janeiro de 2008, sendo responsável pelo mesmo CNPJ desde a sua constituição. Ao longo de todos esses anos, construí minha trajetória com muito trabalho, dedicação e transparência. As pessoas que me conhecem sabem que sempre procurei ajudar aqueles que, em algum momento, também me estenderam a mão.
Lamento que meu nome tenha sido citado sem que eu fosse previamente procurado para prestar esclarecimentos. Sempre estive à disposição para responder a qualquer questionamento de forma transparente. Fico especialmente chateado quando se cria a impressão de que atuei de forma desonesta, pois nunca causei prejuízo a ninguém e sempre conduzi minha vida pessoal e empresarial com seriedade, honestidade e respeito.
Espero ter contribuído para esclarecer os fatos. Agradeço ao Jornal Cenário pela oportunidade de apresentar meu posicionamento e parabenizo a equipe pelo espaço concedido para que os esclarecimentos possam ser prestados.




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