Saudades...
- Irineu Ferreira

- 25 de jul. de 2025
- 2 min de leitura

Acho que estamos mesmo com saudades... Saudades de algo bom, que vai ficando para trás. Temos noção disso, mas não conseguimos resgatar. Só sabemos que a perda será dolorosa, sentida; penso que irrecuperável.
Precisamos trazer de volta o espírito do prazer, da alegria, do dar-se sem subterfúgios para nossas vidas. Nos isolamos em nós mesmos, e o espírito da vida está nos deixando lentamente... Precisamos nos reencontrar.
Uma viagem, sim, seria boa. Ajuda a apagar lembranças tristes, dá alento, remove a alma e o sentido, reaproxima… revigora. A vida atualmente está muito materialista. Os pensadores, os cientistas, os “políticos” dão o nome de “capitalismo”.
Mas isso nada mais é do que o puro individualismo — que é o sinônimo, a tradução destes tempos de competitividade, tempos do salve-se quem puder. Somos todos prisioneiros de nós mesmos.
Onde estão os amigos? Só nos vemos em momentos tristes, “despedidas” fúnebres... Depois partimos, cada qual para seu canto, como pássaros que chegam e que não sabemos de onde, mas pousam na biografia de nossas vidas e alçam voo... Sentimos então uma imensa, inexplicável, uma sensação de abandono, com tanta gente em volta e estamos sós!
O que falta realmente para nossas vidas?
Temos que fazer um diagnóstico racional, sem medo: olharmos para o passado que fomos, o que somos agora e aonde queremos chegar! Qual a meta? Qual é o destino?
Mas não o destino individual — mas o nosso propósito coletivo. Agarramos tudo que nos cerca: família, amigos, desafios, fauna e flora, o universo que nos rodeia. O que falta ao mundo, realmente?
O que falta ao Ocidente, ao Oriente? Por que se digladiam palestinos e israelenses? Por que temos fábricas de homens “bomba”? Por que tivemos o Holocausto, o Vietnã, Irã/Iraque?
Gostaria muito de ter estas respostas — e de tantas outras que angustiam nossas vidas, que trazem insegurança, nos deixam com uma “ausência” do existir... Nos trazem o choro silencioso da rendição.
Estamos reféns de uma força oculta, que nos pressiona para um abismo sem fim: a força discreta das drogas, as sensações deliciosas do álcool, cigarro, cocaína e tantas outras...
O que nos falta?
Não seria a coragem maravilhosa de aceitarmos incondicionalmente que o que nos falta, realmente, é a presença do Espírito Santo em nossas vidas?
Feliz é o homem que, em sua despensa, tem o Pão, o Vinho e o Peixe para alimentar a alma. Este não precisa de mais nada.
Irineu – 16/09/2005




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