Lição de cristianismo
- Redação

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Nesse fim de semana, troquei minha leitura do Estadão pela Folha de São Paulo. Sempre que é possível, troco um pelo outro; acho isso normal. Ao ler a coluna desta terça-feira, do Juliano Spyer, que detém um sobrenome difícil de pronunciar, que foi autor de dois livros interessantes: Crentes e O Povo de Deus, percebi que eu, em relação a esse texto, tinha muito a ver com o tema abordado.
Ele conta que, durante uma corrida de aplicativo, ouviu do motorista uma crítica a algumas igrejas evangélicas, que têm o hábito de ficarem mais preocupadas em controlar e acusar seus seguidores do que praticar o cristianismo.
“Que Deus é este que condena seus próprios filhos e filhas, muitas vezes a uma eternidade de sofrimento?”, o motorista perguntava. Mas, às vezes, ele mesmo respondia.
O motorista está certo, diz o autor do texto.
A figura de Jesus não se sustenta por milagres pirotécnicos, como transformar água em vinho, andar sobre o mar ou multiplicar pães e peixes de uma cesta. Essas imagens funcionam como metáforas para falar de redenção, fé e prática religiosa.
Mas milagres existem.
Ele menciona, por exemplo, o caso de um trabalhador paulista que estava infeliz no seu trabalho. Fez um curso para atuar como missionário e foi parar no Piauí. Ao chegar, percebeu que as pessoas não tinham nem água tratada para beber. Sentiu-se envergonhado. Em vez de abrir uma igreja, criou o Instituto Novo Sertão, uma ONG que promove inclusão produtiva ao levar conhecimento científico, treinamento e recursos para microempreendedores.
Como este, existem outros casos, como a Glocal Aceleradora, que surgiu da disposição de um pastor para que o espaço de sua igreja fosse aproveitado quando não havia atividade religiosa, para a prática de projetos sociais.
O que mobiliza iniciativas como essa é a noção de Reino de Deus. Para esses cristãos, onde o Reino de Deus está presente, não pode haver injustiça, desigualdade ou fome. Eles não usam a Bíblia para prescrever como as pessoas devem viver, mas como inspiração para agir e dar exemplos.
O autor volta ao motorista. E eu vou com ele. Sem citação de versículo, o motorista lembra que uma fé fundada na condenação eterna entra em choque com o coração do evangelho. O cristianismo começa em gestos simples, como os cuidados desinteressados pelo próximo, que nem sempre nós fazemos.




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