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Ex-servidor de Motuca afirma ter apresentado provas de crimes eleitorais e fraudes em licitações

O ex-chefe do setor de saneamento e resíduos sólidos de Motuca, Francis Junior Casimiro da Silva, afirmou em entrevista à Plataforma Cenário Social que protocolou denúncias na Câmara Municipal e no Ministério Público com supostas provas de irregularidades na administração do prefeito Fábio de Menezes Chaves, incluindo áudios, fotografias, prints de conversas, documentos e registros relacionados a contratações públicas, promessas de campanha e possíveis crimes eleitorais.


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Motivações

Francis afirma que não apresentou as denúncias logo no início de sua passagem pela Prefeitura porque, quando ingressou no governo, ainda não tinha conhecimento dos procedimentos da administração pública. Segundo ele, a decisão amadureceu com o tempo, à medida que passou a estudar licitações, contratos e o funcionamento interno da gestão. Na entrevista, ele diz que a preocupação aumentou quando percebeu que, por ocupar cargo de confiança, poderia ser responsabilizado por eventuais irregularidades que viessem a ser apurados futuramente.


Discordâncias com a gestão

Ao explicar por que decidiu levar o caso à Câmara e ao Ministério Público, Francis declara que passou a discordar de práticas adotadas pela administração e que entendeu ser necessário se desvincular de decisões com as quais não concordava. “Eu sempre fui um contador da área privada. Só que aí o Fábio começou a demonstrar uns comportamentos estranhos. Eu falei: ‘Pô, alguma coisa tá errada’”.


Apoio durante a Campanha

Francis afirma que apoiou Fábio intensamente durante a campanha eleitoral e que teve participação ativa na busca de votos. Segundo ele, o apoio envolveu não apenas atuação pessoal, mas também a mobilização de familiares e contatos em Motuca e nos Assentamentos. O ex-servidor diz que acreditava no projeto político apresentado naquele período e que, por isso, aceitou trabalhar com o grupo antes de ingressar na administração.


Relação com o prefeito

Segundo Francis, a relação com o prefeito começou a estremecer no fim do ano passado, quando passou a questionar contratações e decisões administrativas que, em sua avaliação, reproduziam práticas que o próprio grupo político criticava em gestões anteriores. “Então passei a confrontá-lo referente às contratações, porque eu não concordava”.


Comportamentos durante a campanha

Francis afirma que alguns sinais de discordâncias surgiram ainda durante a campanha. Segundo ele, certos comportamentos do então candidato chamaram sua atenção, mas, naquele momento, ele preferiu não aprofundar o conflito.


Gravações de conversas

Francis assegura que fez gravações de conversas e reuniões porque, segundo ele, passou a perceber que já não participava das decisões da mesma forma que no início da gestão. De acordo com sua versão, os registros começaram quando ele entendeu que precisava documentar fatos que poderiam ser relevantes para uma futura apuração. De acordo com ele, após divergir da condução do governo, foi sendo afastado de parte das discussões mais centrais, o que o levou a registrar o que ainda conseguia acompanhar. “Algumas eu gravava, porque, quando ele (prefeito Fábio) percebeu que eu já não estava concordando mais com o governo, ele me excluiu, me deixou isolado na agricultura”.


Áudios, fotos, prints e documentos

Ao detalhar o material entregue à Câmara e ao Ministério Público, Francis afirma que reuniu um conjunto de provas, incluindo gravações, fotografias, mensagens, documentos e registros administrativos. Segundo ele, a denúncia não foi apresentada apenas com base em relatos verbais, mas em materiais que, em sua avaliação, permitem verificar os fatos narrados. Na entrevista, o ex-servidor sustenta que o conteúdo pode ser conferido pelos órgãos de controle e, se necessário, submetido a perícia. “Tudo o que eu falo eu provo e é verídico, porque, se não fosse, eu não falaria, pois posso sofrer consequências sobre isso”.


Indícios de crimes eleitorais

Além das suspeitas sobre irregularidades em licitações e contratações, Francis conta que levou aos órgãos de fiscalização material relacionado a possíveis crimes eleitorais. Segundo ele, as denúncias incluem referências a promessas de campanha, troca de favores e captação de sufrágio. Na entrevista, o ex-servidor revela especificamente a existência de áudios que, segundo sua versão, tratariam de pagamento de despesas para deslocamento de eleitores. “Tem um áudio em que ele (prefeito Fábio) cita pagar a gasolina para o cara vir votar”.


Circunstâncias da exoneração

Ao comentar sua saída da Prefeitura, Francis afirmou que a iniciativa partiu dele e não do prefeito (Fábio sustenta que ele foi exonerado - acesse). O ex-servidor afirma que encaminhou uma carta ao gabinete pedindo exoneração e diz que a versão de que teria sido dispensado por incompatibilidade com o cargo foi construída posteriormente para justificar sua saída perante a população. Na entrevista, o ex-servidor declara que a documentação do pedido existe e que a formalização da exoneração pela Prefeitura ocorreu depois do envio da carta.


Devolução de salário

Francis confirma que devolveu dinheiro à Prefeitura, mas afirma que o caso diz respeito a um episódio anterior e já encerrado. Segundo ele, a devolução foi realizada após orientação jurídica, em razão de uma situação funcional que precisou ser regularizada quando ingressou no cargo. “Devolvi no ano passado o valor referente ao salário que trabalhei. Já foi solucionado, resolvido e arquivado. Publicaram agora para sujar minha imagem e tentar criar uma justificativa para a exoneração”.


Influência de ex-prefeito

Francis também rebateu afirmações de que estaria agindo sob influência do ex-prefeito João Ricardo Fascineli. Segundo ele, não houve orientação, participação ou apoio do ex-chefe do executivo local na elaboração das denúncias. Na entrevista, o ex-servidor diz que esse tipo de comentário passou a circular na cidade após a repercussão do caso. “Não tem envolvimento nenhum com ele. Falaram até que foi ele que me deu dinheiro para devolver na Prefeitura. Isso não existe”.


Desvio de conduta

Ao responder às acusações de desvio de conduta feitas pelo prefeito ao Jornal da EP, de Araraquara, Francis afirma que nunca foi formalmente comunicado sobre assédio ou qualquer irregularidade funcional durante o período em que trabalhou na Prefeitura. Segundo ele, se houvesse fato concreto, a administração poderia ter instaurado procedimento enquanto ele ainda estava no cargo. “Como que, na época em que eu estava lá, não foi instaurado um PAD, não teve nada? Aí, depois que eu saio com o Protocolo de denúncia, vêm essas afirmações”, questiona.


Francis nega vingança

Questionado diretamente sobre a possibilidade de estar agindo por vingança, Francis nega. Segundo ele, essa interpretação não faria sentido porque, de acordo com sua versão, foi ele quem pediu para sair da Prefeitura e não o contrário. O ex-servidor afirma que decidiu tornar o caso público para expor os fatos que diz ter presenciado e também para responder às declarações feitas contra ele.


Também nega chantagem

Francis também respondeu à afirmação de que teria chantageado o prefeito. Segundo ele, se a intenção fosse obter vantagem ou permanecer no governo, não teria deixado o cargo nem formalizado a denúncia nos órgãos de controle. O ex-servidor disse que a acusação não se sustenta porque não houve pedido de benefício em troca de silêncio ou de não divulgação do material.


Celular funcional e notebook

Sobre os equipamentos da Prefeitura, Francis afirmou que nunca retirou o celular funcional citado pelo prefeito ao Jornal da EP e que o aparelho estaria com outro setor do município. Já em relação ao notebook, reconhece que o equipamento ainda estava com ele no momento da entrevista. “O celular eu nem retirei, pois está com o Comcriamo (Conselho da Criança e do Adolescente). Agora, o notebook está comigo, sim, porque eu ainda não assinei a rescisão na Prefeitura. A devolução seria feita nesse processo".


Apuração da Câmara e do Ministério Público

Ao comentar o papel da Câmara Municipal, Francis afirma esperar que os vereadores deem andamento formal à denúncia e examinem o material já protocolado. Segundo ele, a Casa poderia instaurar uma comissão processante, caso entenda haver elementos suficientes para isso. Em relação ao Ministério Público, Francis diz que a expectativa é de que o órgão apure o conteúdo entregue, avalie os indícios e responsabilize eventuais envolvidos, caso as irregularidades sejam confirmadas. Segundo ele, a investigação seria o caminho para aprofundar pontos que, na visão dele, ultrapassam a esfera administrativa.

 
 
 

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