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Dom Pedro II: O primeiro grande estadista brasileiro


Quando falamos em monarquia brasileira, logo o assunto nos remete aos livros de história da escola, cheios de datas e nomes para decorar e invariavelmente rotulados pelo adjetivo “chato”. Quando se fala em D. Pedro II, quando não confundido pelo pai garanhão, nos vem à memória um velho barbudo, com aparência sisuda, que um dia foi expulso do país e depois virou nome de rua, praça, escola, museu...

É uma pena, pois Dom Pedro II nos surpreende por tudo o que representou a esse país. Pela atualidade de suas ideias, pelo seu patriotismo, pela sua cultura e, infelizmente, até pelo quase desconhecimento a que foi relegado numa tentativa, talvez, de se apagar a própria história.

D.Pedro II foi aclamado imperador com apenas 5 anos, quando já órfão de mãe desde o 1º ano de vida viu o pai, Pedro I, indo embora para Portugal e deixando para trás todo o peso de se preparar para governar um país inteiro.

Desde criança, Pedro teve uma infância triste e solitária e talvez tenha se sentido assim pelo resto de sua vida. Tinha poucos, raros amigos de sua idade e, para fugir da realidade, fez dos livros um mundo à parte. Tinha verdadeiro encantamento pelos estudos e era lá que aplacava sua carência emocional. Essa paixão ele fez questão de levar para a vida inteira o que o fez um dos monarcas mais cultos e eruditos de seu tempo, sendo então admirado por personalidades mundiais da época, como Wagner, Louis Pasteur, Victor Hugo, entre tantos outros. Sempre dizia que se não “tivesse” que ser imperador, seria professor.

Assumiu o trono com apenas 15 anos, e em seus 49 anos de reinado deixou um legado incontestável até para os republicanos mais ferrenhos da época. Deixou um exemplo de senso de dever, de justiça, e inacreditável respeito pela liberdade de imprensa. Em seu governo jamais houve prisioneiros políticos e nunca censurou qualquer jornal - até mesmo aqueles que faziam ofensas pessoais a ele e sua família. Dizia sempre que “Os ataques ao imperador não devem ser considerados pessoais, mas apenas manejo ou desabafo partidário". Embora pareça controverso, nutria simpatias republicanas. Preferia ser um presidente ou ministro a ser um imperador.

Construiu e reformou várias escolas e faculdades. Dizia que sem educação não haveria futuro para o país. Ajudou e financiou do próprio bolso o trabalho de vários cientistas, farmacêuticos, agrônomos, escritores, arquitetos, pintores... Aliás, em seus 49 anos de reinado não permitiu que seu “salário” fosse aumentado. Custeava do próprio bolso as benemerências que fazia e até o último momento não aceitou o dinheiro que ofereceram quando foi expulso do país junto com sua família.

Sua paixão pelo conhecimento fez com que viajasse pelo mundo (como sempre custeado pelo próprio bolso). Numa dessas viagens conheceu Grahan Bell, que havia inventado o telefone e foi um dos primeiros a testar a nova invenção. Admirado fez questão que o Brasil fosse um dos primeiros países a possuir a nova engenhoca. Também implantou as primeiras linhas telegráficas do Brasil e ajudou a introduzir a produção cafeeira, o que promoveu o crescimento da economia brasileira que, por sinal, já era bem maior que a de Portugal.

Foi pego de surpresa numa noite em Petrópolis (embora já tivesse sido alertado várias vezes sobre um possível golpe militar) com o mandato de 24 horas para deixar o país, pois a república havia sido proclamada. Nenhuma queixa ou reclamação foi dita por ele. Aceitou o exílio e morreu num hotel simples e sem nenhum luxo em Paris. No quarto, um pacote com terra e uma mensagem escrita por ele mesmo: "É terra de meu país, desejo que seja posta no meu caixão, se eu morrer fora de minha pátria".

A importância de Dom Pedro II é muito maior do que a descrita aqui. Vale a pena conhecer melhor o político e principalmente o homem escondido atrás da figura aborrecida que nos é mostrada na escola. Conhecer a própria história e ir além do que nos é imposto é a melhor forma de criar uma identidade maior com o lugar em que vivemos, pois a maior tragédia que pode acometer um país é desconhecer ou subestimar o seu passado.

Texto publicado na edição 34 do Jornal Cenário (Acesse)

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#cultura #anaroma

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