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Em prol de tantas Giovanas


Luta de mãe para prevalecer os direitos da filha autista influencia outras famílias a buscarem maior qualidade de vida para seus filhos portadores de deficiência física ou mental


Rita comemora a inserção social da filha

Por Gabriela Marques


A professora Rita de Cássia já tinha tudo planejado para seu futuro: aposentaria nos dois empregos no qual era concursada, continuaria morando em São Paulo e terminaria de criar suas três meninas quando descobriu que a filha mais nova, Giovana, então com 1 ano e meio, era portadora de Transtorno do Espectro Autista, conhecido como Autismo.


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Sempre quietinha e sem desenvolver a fala ainda, apesar de cantarolar, a escola de Giovana realizou avaliações e a conduziu primeiramente a uma fonoaudióloga. Após três meses de tratamento sem sucesso, a pequena foi encaminhada ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps) infantil da capital paulista.


Com o laudo de Autismo em mãos, Rita conversou com o psiquiatra do Caps. “Ele me disse, sem rodeios, que não havia cura, que ela nunca olharia para mim, não andaria, não falaria e que o município não tinha tratamento para nos oferecer”, relembra.


O choque foi grande. “Nunca a escutarei falar mamãe”, pensou. Rita abandonou um dos seus dois empregos para acompanhar a filha nas atividades. Após um período de não aceitação e adaptação à nova realidade, estudou toda a situação e decidiu voltar para sua terra natal: Motuca. “Acreditei que aqui teria mais condições de cuidar dela”.


Na cidade, Rita recomeçou a luta. Conseguiu o apoio para continuar o tratamento da filha, com terapeuta ocupacional e psicóloga do município, e foi bater na porta da Apae Araraquara. “As instituições só atendiam a partir dos 7 anos. Lá, eles me disseram que não tinham estrutura para receber a Giovana, mas que iam se equipar e, simultaneamente, iniciariam as estimulações para ela se desenvolver”, conta. Um ano depois, a instituição abriu uma sala de educação infantil, que trabalha pedagogia, estimulação (fonoaudióloga e terapeuta ocupacional) e saúde, com neuropediatra e outras especialidades.


Crianças autistas conseguem se desenvolver melhor quando diagnosticas entre 0 e 6 anos. Inicialmente, o autismo de Giovana foi considerado de leve a moderado e afetou a sua fala e compreensão. “Quando não se fazia entender, ela tinha crises graves, de se bater e não deixar ninguém tocá-la”, explica Rita.


Com pouco tempo de tratamento, Rita viu a evolução da filha, que consegue se comunicar por meio da fala e se fazer compreender, além de andar sem dificuldades, tudo o que o diagnóstico inicial apontava que Giovana não conseguiria desenvolver. “Com quatro anos de idade, ela me disse mamãe pela primeira vez”, se emociona Rita. Para garantir os direitos e qualidade de vida para a filha, precisou e ainda precisa lutar bastante.


“A minha maior dificuldade é a falta de diálogo. Fazer com que, pelo menos, as pessoas escutem quais são os obstáculos e o que podemos fazer, juntos, para garantir a inserção educacional e social não só da minha filha, mas de todas as crianças, jovens e adultos com algum tipo de deficiência”.

Com a luta constante, Rita conseguiu influenciar e apoiar as outras famílias na busca por garantir os direitos de todos. Recentemente, ela e algumas mães se reuniram para conversar com autoridades e apresentar as necessidades de seus filhos, como a garantia de acesso, dentre outras coisas. “A minha luta é para que minha filha e tantas outras Giovanas tenham uma vida normal quando tornarem-se adultos. A única diferença deles para os outros é o modo em que veem a vida”, afirma Rita.


Texto originalmente publicado na 94 edição do Jornal Cenário

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