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Arboviroses: população reconhece riscos, mas prevenção ainda é irregular, aponta Unicef


Campanhas não mudaram de forma contínua o comportamento da população. Imagem/UNICEF
Campanhas não mudaram de forma contínua o comportamento da população. Imagem/UNICEF

Com base em estudo divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), a população brasileira possui amplo conhecimento sobre dengue, zika e chikungunya, mas nem sempre transforma esse conhecimento em práticas efetivas de prevenção. A pesquisa aponta que, embora a associação entre arboviroses e água parada esteja consolidada entre os moradores, muitas medidas preventivas ainda são adotadas de forma irregular ou insuficiente.


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O levantamento, intitulado “Combate à dengue, zika e chikungunya: estudo comportamental sobre a adesão a práticas de prevenção”, foi produzido pelo UNICEF em parceria com a empresa Plano CDE e divulgado em 2024. O estudo analisou conhecimentos, atitudes e comportamentos da população em relação às arboviroses, além de fatores psicológicos, sociais e ambientais que influenciam a prevenção.


A pesquisa utilizou grupos focais realizados em Montes Claros (MG) e Sinop (MT), municípios considerados prioritários pelo Ministério da Saúde no combate às arboviroses. Também foram entrevistados gestores públicos de cidades das regiões da Amazônia Legal e do Semiárido brasileiro. Ao todo, participaram 72 pessoas em entrevistas realizadas em janeiro de 2024.


Segundo o estudo, o principal conhecimento espontaneamente citado pelos entrevistados foi a relação entre dengue e água parada. Os pesquisadores avaliam que campanhas públicas realizadas ao longo dos anos consolidaram essa associação na memória da população. Entretanto, o relatório indica que isso não tem resultado, necessariamente, em mudanças permanentes de comportamento.



Durante as entrevistas, moradores afirmaram realizar ações preventivas, como verificar quintais e recipientes que acumulam água. No entanto, muitos não conseguiam explicar com precisão quando haviam realizado essas ações pela última vez ou detalhar como eram feitas. O estudo também relata situações em que agentes de endemias identificaram focos de mosquito nas residências dos próprios entrevistados.


Outro ponto identificado foi a percepção de resignação diante das doenças. Parte dos entrevistados considerava inevitável contrair dengue, zika ou chikungunya em algum momento da vida, mesmo com cuidados individuais. Essa percepção foi associada à redução da urgência em adotar medidas preventivas contínuas.


A pesquisa observou que famílias com crianças pequenas e gestantes demonstravam maior preocupação com as arboviroses. Nesses grupos, práticas como uso de repelentes, mosquiteiros e inseticidas eram mais frequentes. Ainda assim, os entrevistados relataram dúvidas sobre formas seguras de utilização desses produtos.


O levantamento também identificou um discurso frequente de responsabilização individual. Muitos entrevistados atribuíram a persistência dos focos à falta de cuidados de vizinhos e moradores. Paralelamente, houve cobrança por maior atuação do poder público, principalmente em ações de limpeza urbana, fiscalização de terrenos baldios, aplicação de multas e intensificação do trabalho dos agentes de endemias.


De acordo com o estudo, ações públicas regulares ajudam a reforçar a percepção da população sobre a importância da prevenção. Em Montes Claros, por exemplo, a realização do chamado “Dia D”, com coleta de materiais que poderiam servir de criadouros do mosquito, foi apontada como medida que estimulava maior mobilização comunitária.


Os pesquisadores também identificaram fatores que dificultam a adoção de práticas preventivas, como custos financeiros e esforço físico. Gastos com repelentes, telas de proteção e manutenção de caixas d’água, além da necessidade de limpeza de calhas e descarte de entulhos, foram apontados como barreiras para parte da população.


O estudo conclui que o enfrentamento das arboviroses depende não apenas de campanhas informativas, mas também de políticas públicas, infraestrutura urbana, ações comunitárias e estratégias que facilitem a adoção de comportamentos preventivos no cotidiano da população.

 
 
 

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