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A evolução da Anestesia


A dor é parte inerente do ser humano e desde os tempos mais remotos tentamos buscar alternativas para aliviá-la. Até chegarmos às técnicas mais modernas muitos absurdos foram praticados, desde amarrar o paciente e fazer tudo a sangue frio até algumas técnicas que mais parecem coisa de desenho animado.

Que tal levar uma cacetada na cabeça pra fazer uma cirurgia? Esse processo chamado de Concussão Cerebral era praticado na Europa medieval. Após a pancada, o paciente desmaiava e a cirurgia começava. O problema (além do galo) era recuperar os sentidos durante o procedimento... Será que a enfermeira ficava de prontidão com um porrete na mão pra aplicar outra “anestesia”?

Não menos bizarro, os assírios comprimiam a carótida (artéria que leva sangue ao cérebro) para provocar um estado de coma proposital. Também aplicavam um torniquete bem apertado em pernas ou braços para que a sensibilidade nessas áreas fosse diminuída.

Outro processo bastante utilizado para efeito anestésico era o congelamento de partes do corpo com neve e gelo. O frio até ajudava a amenizar um pouco a dor, mas também causava queimaduras terríveis. Encher a cara também era uma solução paliativa. Embebedava-se o paciente com rum, vinho e o que mais tivesse a mão, amarrava-se o bebum na maca e a sessão de tortura começava.

Uma das dores mais chatas que atormenta um indivíduo é a de dente. Que tal então arrancar um siso no barbeiro? Ou então tirar uma pedra da bexiga, abrir um abscesso, curar a hemorroida?

Pois é, em tempos remotos os barbeiros não cuidavam apenas da barba, mas também detinham técnicas médicas que aprenderam de tanto frequentar os mosteiros para cuidar do cabelo e da barba dos monges (antigamente os responsáveis por exercer a medicina eram os monges católicos).

Na barbearia rolava de tudo um pouco, tudo misturado a muita sujeira, charlatanice e absurdos, como receitar bochechos com urina para aliviar dores de dente e de cabeça. Receitavam pastas com cebola amassada, alho, cominho e incenso para colocar no dente inflamado. Esses barbeiros/ médicos/ dentistas/ loucos (?) também praticavam a famigerada sangria, que nada mais era do que provocar um corte no braço ou perna e deixar o paciente sangrando por horas. Ou isso ou então sapecavam um monte de sanguessugas no corpo do doente. A explicação para tamanho absurdo era que antigamente acreditava-se que praticamente todas as doenças e consequentemente as dores eram causadas por excesso de líquido no corpo. Praticando as sangrias purificava-se o sangue. O “único” efeito colateral dessa técnica era que muitas vezes levava o paciente a morte.

Tratamento de hemorroidas com ferro quente? Pois é, todo mundo ao barbeiro! Ele aplicava um “anestésico” feito de álcool e ervas no ânus, esquentava um ferro na brasa e... Misericórdia!

A verdade é que nenhum desses tratamentos adiantavam muita coisa. As técnicas anestésicas só começaram a avançar a partir do século XIX com o uso de substâncias como éter, clorofórmio, morfina, sendo que todas já podiam ser injetadas no paciente graças à invenção da seringa também contemporânea a essas descobertas.

Após todo esse caminho tortuoso que o homem percorreu para driblar a dor física e as doenças, não se aborreça mais quando estiver na sala do dentista ou do médico, lendo uma revista de 1998, esperando sua vez de ser atendido. Afinal, acredite, a coisa já foi muito pior!

Texto publicado na edição 32 do Jornal Cenário (Acesse)

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