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Quem é rei não perde a majestade


Rei para muitos ou brega para outros, é praticamente impossível escapar da figura de Roberto Carlos. Possivelmente você em algum momento ou outro já se pegou cantarolando alguma de suas músicas. No alto de seus 77 anos (57 só de carreira), Roberto conseguiu uma proeza inédita no cenário musical brasileiro: Reinar absoluto como o cantor mais popular do país. Considerar isso num país que endeusa seus ídolos na mesma velocidade com que os esquece é um feito único.

O esboço desse reinado começou a ser traçado no final da década de 50, quando o ainda plebeu Roberto flertava com a bossa nova. Desse namoro surgiu apenas um disco, “Louco por você”, que até hoje é renegado por ele pela falta de qualidade. Apesar do fiasco da estreia, ele não desanimou e investiu em outro estilo bem diferente da bossa nova, o Rock n' Roll. Numa época em que os Beatles e o “iê-iê-iê” varriam o mundo o Brasil ainda estava engatinhando nesse gênero musical. Ao perceber isso não demorou muito para Roberto se juntar a um bando de cabeludos (como seu amigo de fé e irmão camarada Erasmo Carlos) e, inspirado no rock inglês e americano, liderar o primeiro movimento de música jovem no Brasil.

Nascia aí a Jovem Guarda. Mesmo que hoje a maioria das músicas pareçam um tanto quanto ingênuas ou açucaradas, esse movimento foi o suficiente para arrebatar e descabelar um público até então ignorado pela música brasileira: os adolescentes. O sucesso foi devastador. Nessa época Roberto já despontava como compositor eficiente e não se limitava apenas a versões estapafúrdias de rocks estrangeiros como cantavam alguns de seus colegas.

Clássicos como “Parei na Contra-Mão”, “Quando”, “É proibido fumar”, entre outros, embalaram uma geração inteira de rebeldes,mesmo que para alguns a maior rebeldia fosse apenas deixar o cabelo crescer pra ficar parecido com seus ídolos. Foi nessa época que Roberto também inaugura no país aquele que seria o embrião do vídeo clip. Inspirado nos filmes musicais dos Beatles, o diretor Roberto Farias fez o hoje Cult “Roberto Carlos em ritmo de aventura”, um filme que misturava um roteiro sem pé nem cabeça recheado de carangos e bandidos que perseguiam o Rei pelo Rio de Janeiro na tentativa de transportar a vida dele para um computador (sim, existia Computador na década de 60, mas nem te conto o tamanho do dito cujo). Tudo nesse filme era pretexto para Roberto entoar clássicos como “Eu sou terrível”, “Por isso corro demais” e “Como é grande o meu amor por você”... O filme foi um sucesso só!

Toda essa rebeldia travestida de bom mocismo foi abandonada no começou dos anos 70, quando Roberto assumiu definitivamente a roupagem de cantor romântico e deixou o rock de lado. O que poderia ser uma decepção para os antigos fãs e causar estranheza aos novos acabou apenas consolidando aquilo que todos já sabiam - Roberto ainda era o cantor mais popular do país e já não conquistava apenas os jovens ou a namoradinha de um amigo seu, mas os pais dela, os avós, os vizinhos, enfim, gente de todas as idades e classes sociais dando alusão ao clichê “Quem é rei não perde a majestade”. E, se julgarmos a facilidade com que ele consegue lotar os lugares onde se apresenta, dá para constatar que essa coroa não mudará de cabeça tão cedo.

Texto publicado na edição 30 do Jornal Cenário (Acesse)

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#cultura #anaroma

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